Entrevista: Leno Veras
Leno Veras de Carvalho, 25 anos, gosta tanto de falar com pessoas e estar entre elas, que só entendemos verdadeiramente o que isto significa quando tomamos conhecimentos de todos os lugares pelos quais passou: na América do sul temos Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia e Perú. Na Europa: Portugal, Espanha, França, Suiça, Aústria, Itália, Hungria, República Tcheca, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Bélgica, além de Canadá e Marrocos.
Veras é formado Bacharel em Comunicação Social pela Universidade de Brasília e especialista em Produção de Textos Críticos e Difusão Midiática das Artes pelo Instituto Universitário Nacional de Arte (Argentina). Atualmente é pesquisador associado do núcleo Estudos Audiovisuais da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha e integra um projeto das Nações Unidas como curador da exposição Humanizando o Desenvolvimento (http://www.ipc-undp.org/photo/index_pt.htm).
Conheceremos um pouco mais sobre este rapaz que não gosta muito de atividades físicas de alto impacto, dá preferência à yoga, gosta de poesia e tem em Museus sua fonte de passatempo, diversão e aprendizado favorito.
1. Como foi sua experiência em entidades governamentais como o MEC e a ONU?
Acredito veementemente que o âmbito público, essa vasta gama de entidades que vão desde os governos às organizações não governamentais, é o espaço da criação para a sociedade na qual acredito, de modo que não concebo o meu trabalho em outra esfera, portanto, apesar das dificuldades, minhas incursões nessa esfera reiteraram o pensamento de que vale a pena trabalhar pela pluralidade, por mais complexa que seja a realidade.
2. Qual o seu objetivo em sua carreira? Onde quer chegar?
Dizem que o caminho a gente cria ao caminhar e, assim sendo, vou adiante pensando no próximo passo, mas quando projeto futuros, me imagino vinculado á educação pública, no mais amplo espectro desse conceito.
3. Quem busca uma carreira internacional, o que deve priorizar e investir?
Antes de mais nada, é essencial a compreensão de que a vivência do estrangeiro é muito diferente da experiência do turista, de maneira que se faz necessário aprender a viver só para, em seguida, se inserir em uma nova coletividade. Além disso, o estudo dos idiomas e das culturas é importante.
4. Atualmente busca-se entender para onde a internet flui, redes sociais simples explodem de usuários, enquanto outras surgem e desaparecem instantâneamente. Você utiliza desse meio pessoalmente e profissionalmente? Como?
Sim, mas acredito que a ferramenta não substitui o ofício. Existe uma teoria, relativa a uma etapa histórica anterior á contemporaneidade, que explicitou a famigerada máxima de que “o meio é a mensagem”, o que é uma verdade absoluta quanto ás comunicações de massas do século XX, mas isso tudo está se metamorfoseando desde o surgimento das novas plataformas comunicacionais que nascem na rede mundial de computadores e o novo estado da questão é que todos temos poder de voz, de forma que o conteúdo é que demarca o que, quando, onde e como serão comunicadas as mensagens, instaurando um outro modelo: “a mensagem é o meio”.
5. Aplicativos de notícias hoje se moldam ao gosto do leitor, onde recebemos apenas o que nos interessa e os acessamos em aparelhos móveis como tablets e smartphones. Qual a realidade desse movimento no mundo e no Brasil, especificamente em Teresina?
A realidade é que uma ínfima minoria continua acessando a informação desde aparatos tecnológicos, seja lá qual for a última geração, enquanto uma imensa maioria é mantida á margem desse processo, pois os mecanismos de exclusão se tornam mais eficientes á medida que a complexidade dos meios se intensifica. Em todos os países, estados e cidades, encontramos quem os que leem nas telas de plasma e também os que não sabem nem ler, é essa a questão principal.
6. Em contrapartida mecanismos de buscas e redes sociais já assumiram modificar padrões nas pesquisas dos usuários, direcionando-os de acordo com seus perfis e interesses. Isso beneficiaria anunciantes, e deixaria pontos cegos a quem busca informações de modo geral. Você tem algum cuidado com isso? Você acha que esse lado “negro” da rede influenciaria os resultados a ponto de nossa visão estar sendo manipulada?
Qualquer mediação está relacionada com a deturpação, desde a tradução de um livro aos trending topics do twitter, então o cuidado deve ser tomado ao ler qualquer meio de comunicação. A mídia exerce poder e é necessário estar atento aos interesses políticos e econômicos que promovem ideias sociais, pois estamos sempre sendo manipulados em uma sociedade na qual a cultura é uma indústria. Com o perdão pela infâmia: vale a pena ler de novo.
7. Qual sua tese de estudo?
Acredito que as ciências humanas, em especial as sociais, tem a missão de analisar os processos históricos com um olhar crítico, com o velho e bom intuito de conhecer o passado para compreender o presente e, assim, projetar o futuro. Dessa feita, minha pesquisa, nesse momento, se aloca no âmbito dos estudos culturais, debruçando-se sobre as práticas curatoriais como um mecanismo de construção social. Especificamente, me interessam as “cápsulas do tempo”, desde os mausoléus primitivos ás redes sociais futuristas – o que, por que e para quem guardamos nossos objetos (sejam em caixas ou cofres, pastas ou nuvens). E por aí vai…
8. Muitas viagens pelo mundo te colocaram em contato com diversas culturas diferentes. O que mais te chamou atenção ou te marcou, se tratando de arte e cultura em diferentes povos?
É tanta coisa nesse mundo que eu só poderia dizer uma: justamente a diferença.
Um filme, um ator e um diretor de cinema
Santiago, com Santiago, do João Moreira Salles.
Uma música, um disco e um artista/banda musical
Voyage, do Man With a Movie Camera, do The Cinematic Orchestra .
O que mais gosta de fazer nas horas “livres”
Nada.
Um livro, um autor
Pulsações, da Clarice Lispector.
Melhor viagem e melhor país para se morar
Ver o sertão virar mar do farol da praia do Coqueiro, bem alí no alto do Brasil.
Principais gadgets
Não sou de bugingangas, mas o Street Tag, á venda no iTunes, até que é interessante.





6 de outubro de 2011
parabéns … vc é muito bom…conhecimento profundo…
6 de outubro de 2011
otimo
6 de outubro de 2011
Lenooo, adorei a entrevista! mesmo que a passos lentos é no âmbito público que realmente podemos mudar a educação pública como um todo. Uma iniciativa pontual pode ter resultados brilhantes e rápidos, são capazes de mudar uma realidade local, encher nossos olhos e coração de esperança, mas para mudar uma realidade somente com o trabalho assíduo de muitas cabeças pensantes como a sua. Boa sorte, meu amigo, nessa jornada! E apesar das andanças, se isso pode ser um pesar, fico feliz que você reconheça que nada melhor como nossa casa! Ver as diferenças desse mundo é bom, é enriquecedor, mas é também nesse aprendizado que valorizamos o que sentir-se em casa! Seja bem-vindo sempre! Abraço!
6 de outubro de 2011
Muito interessante a entrevista com o Leno. Mostra um jovem preparado e bem articulado, com um olhar aguçado sobre as transformações sociais e midiáticas do mundo contemporâneo, sem perder a sensibilidade de perceber que o ser humano é a personagem principal de toda essa evolução tecnológica.
6 de outubro de 2011
É muito gratificante ver o entusiasmo e a capacidade de um jovem como este. Sua visão caminha ao encontro do que acredito e, sem se manter na mesmice, acrescenta sempre com muita precisão as necessárias críticas aos pontos sugeridos. Seu gosto cultural e sua experiência traz dicas interessantes.
Muito bom!
6 de outubro de 2011
Muito interessante a entrevista, Leno Veras de Carvalho conseguiu explorar com requinte e sabedoria as diversidades culturais existentes nos diferentes lugares do mundo, fazendo um mix entre o arcaico e futurístico de maneira bem leve e atrativa.
28 de outubro de 2011
Leno! Increible reportaje y muy buen desarrollo del mismo, creo que la comunicacion hoy en dia es muy dificil.
Siempre mantene este objetivo, gente como vos ayudan en este mundo a ser simples y profundos; y poder volver a los libros, fuentes inagotables y herramientas fundamentales en nuestras vidas.
Gracias y mucha suerte siempre…..
28 de outubro de 2011
Brilhante!
28 de outubro de 2011
Gregory Bateson:
“No decorrer da minha existência coloquei as descrições de pedras, paus, de bolas de bilhar e de galáxias numa caixinha… e as deixei ali. Numa outra caixa, coloquei coisas vivas: os caranguejos do mar, os homens, os problemas sobre o belo…é desta caixa que me interesso…”
“Qual o padrão que une o caranguejo, a lagosta, a orquídea, a rêmula e todos os quatro a mim?”
Então Leno vc está neste patamar. De cá admiro os dois.
2 de novembro de 2011
“Dizem que o caminho a gente cria ao caminhar e, assim sendo, vou adiante pensando no próximo passo….” Hermoso, muy interesente el reportaje. Saludos